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O América cearense está de volta. E caprichou na nova camisa

O América lançou um financiamento coletivo para disputar a 3ª divisão cearense
Postado por Rafael Luis Azevedo - 30/maio/2017
O novo uniforme do América é fabricado pela Fackel, empresa cearense (Foto: Reprodução)

O novo uniforme do América é fabricado pela Fackel, empresa cearense (Foto: Reprodução)

Nenhum time do futebol cearense foi efetivamente um clube, investindo de forma permanente em outras modalidades durante sua história. Bem, exceto o América. Nas décadas áureas de 1950 e 1960, o time foi campeão estadual de futsal, basquete e vôlei em 18 ocasiões. Em 1966, ano do bicampeonato no futebol, foi o vencedor também nas três modalidades amadoras. Toda essa tradição volta à cena em 2017, com o retorno do América aos gramados – sob nova direção.

O empresário Cleston Souza Santos adquiriu o clube em definitivo, após duas décadas e meia sob o comando da família de Alberto Damasceno, e um período de seis anos de gestão cedida ao dirigente. Como primeiro passo do novo momento, o presidente lançou uma campanha de financiamento coletivo, que busca arrecadar recursos entre antigos torcedores e admiradores do América, terceiro mais antigo em existência no futebol cearense, atrás somente de Ceará e Fortaleza.

A campanha, lançada no dia 23 de maio no site Kickante, almeja R$ 70 mil até o dia 7 de julho. Os valores pedidos pela diretoria variam de R$ 10 a R$ 10 mil, tendo entre as recompensas camisas e até mesmo o espaço de patrocínio nos uniformes. O grande destaque entre os produtos oferecidos, por sinal, são as novas camisas do América, fabricadas pela Fackel, empresa cearense de material esportivo. Para recebê-la, é necessário financiar R$ 150 (pedidos feitos em Fortaleza pagam R$ 120).

Plano centenário

A meta do América é voltar à 1ª divisão do Campeonato Cearense até 2020, ano do centenário. O início da caminhada será na 3ª divisão, ainda sem calendário marcado. À frente do projeto, Cleston tem a parceria do técnico Henrique Dias da Silveira, ex-Calouros do Ar, e do diretor de marketing Rodrigo Marques, que acumula a função de jogador.

No elenco por enquanto é só ele. Mas o local de treinos já está a caminho. “Nosso planejamento é iniciar em breve o período de testes para formação de parte do time, tendo em vista que será completado com alguns atletas que já tiveram experiência no futebol profissional”, adianta Rodrigo, ex-jogador de Calouros, Quixadá e América-RN.

O desejo do novo dono do América é devolvê-lo à 1ª divisão até o centenário em 2020 (Foto: Reprodução)

O desejo do novo dono do América é devolvê-lo à 1ª divisão até o centenário em 2020 (Foto: Reprodução)

Do topo ao poço

O retorno do América será um recomeço quase do zero, já que a atual gestão não herdou nenhum bem. Não se tem notícia, por exemplo, sobre aonde foram parar as dezenas de troféus de sua história. Situação lastimável para um clube que já teve uma estrutura superior a dos grandes locais – Ceará, Fortaleza e Ferroviário.

O América possuiu uma sede na Praia de Iracema, na rua dos Tabajaras, onde o futsal desembarcou no Ceará, em 1955, e depois outra na avenida Dom Manuel, construída em 1963 em terreno trocado com uma imobiliária por seu estádio, o Américo Picanço, que havia sido inaugurado em 1944 e ficava a algumas quadras do atual Campo do América, hoje uma Areninha da Prefeitura.

Em 1987, o radialista Alberto Damasceno assumiu o América, após debandada de dirigentes históricos. Quatro anos depois, toda a estrutura foi penhorada pela Justiça. Foi o início da derrocada do clube, que seguiu vivo somente no futebol. Em 1996, ele caiu para a 2ª divisão. Em 2004, foi rebaixado para a 3ª.

O América ensaiou um retorno aos bons tempos em 2013, numa parceria assinada entre Cleston, recém-chegado ao clube, e a farmácia Pague Menos. O time amador da empresa disputou o Estadual com o uniforme rubro, e conquistou o título da 3ª divisão. O novo acesso não veio em 2014 e 2015, e a união acabou desfeita.

Agora, o América tenta se manter sobre suas próprias pernas. O cenário é difícil, já que vários times de Fortaleza se encontram fora do Campeonato Cearense, incluindo Calouros do Ar, Maguary e Terra e Mar. “Vivemos um ‘abuso’ de taxas administrativas. Precisamos pagar R$ 3 mil a CBF para estar aptos”, critica Rodrigo.

“Vivemos um ‘abuso’ de taxas administrativas. Precisamos pagar R$ 3 mil a CBF para estar aptos”. (Rodrigo Marques)

Para o pagamento de taxas, gastos com logística e remuneração de atletas e treinador, o América estima que gastará de R$ 100 mil a R$ 150 mil para bancar a equipe durante seis meses. “Mediante isso, clubes de divisões baixas acabam sofrendo, entrando em status inativo”, constata o diretor de marketing. Que a volta agora seja pra valer.

Perfil:

Nome: América Football Club.
Apelido: Mecão.
Mascote: Águia.
Fundação: 11/11/1920.
Títulos: 1ª divisão cearense (1935 e 1966) e 3ª divisão cearense (2013).
Títulos estaduais em outras modalidades: futsal (1955, 1961, 1964, 1965, 1966, 1967, 1968, 1969), basquete (1962, 1963, 1964, 1966, 1967) e vôlei (1965, 1966, 1967).

Página do financiamento coletivo.

Sede do América, em Fortaleza, foi penhorada pela Justiça em 1991 (Foto: Blog Fortaleza Nobre)

Sede do América foi penhorada pela Justiça em 1991 (Foto: Blog Fortaleza Nobre)

Conheça o autor

Rafael Luis Azevedo

O jornalista Rafael Luis Azevedo, 34 anos, é editor do site Verminosos por Futebol desde 2012. É também coordenador do portal Tribuna do Ceará, e teve passagens por jornal O Povo, O Povo Online e TVs Jangadeiro/SBT, O Povo/Cultura e Cidade/Record. Já fez reportagens para as revistas Four Four Two (ING), So Foot (FRA), Courrier International (FRA) e Placar, os sites BBC Brasil, Vice e Agência Pública e as TVs France 2 (FRA), France 24 (FRA) e Fusion (EUA). Já venceu 21 prêmios de jornalismo, incluindo Esso, Embratel e Petrobras, cobriu duas Copas do Mundo in loco e foi co-autor de livros sobre o Ceará e o estádio Presidente Vargas.

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