Deu a louca

Mikey Wilson, o menino do dedo em riste

Localizamos na Holanda o garoto que protagonizou uma foto icônica do futebol mundial
Postado por Rafael Luis Azevedo - 12/fev/2014
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O Verminosos por Futebol localizou o holandês Mikey Wilson (Foto: Reuters)

Ele é, possivelmente, o anônimo mais famoso do futebol mundial. Sua foto estampa pôsteres de torcidas em todo o planeta, inclusive de outras modalidades. Mikey Wilson era um garotinho quando fez o sinal acima com o dedo médio em riste. Hoje, passados 12 anos, o fã do Feyenoord é um adolescente orgulhoso de ter virado um ícone para torcedores apaixonados.

O célebre registro aconteceu no dia 8 de maio de 2002, na final da Copa da Uefa, entre Feyenoord e Borussia Dortmund. Na ocasião, o estádio do time holandês se calou para homenagem póstuma a Pim Fortuyn, crítico do islã. Exceto os alemães, em protesto. O desrespeito irritou a torcida da casa, que respondeu com a ofensa universal do dedão esticado.

Mikey, então com 5 anos, fez o mesmo inocentemente. Num lance de sorte, a lente do fotógrafo holandês Jasper Juinen, da agência Reuters, estava apontada justo para aquele canto da arquibancada. Com a vitória do Feyenoord por 3 a 2, o garotinho virou não apenas um símbolo da conquista. A foto rodou o mundo, como marca da paixão exasperada.

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Nos anos seguintes, a ida de Mikey Wilson aos estádios sempre foi motivo para pedidos do sinal do dedo (Foto: Acervo pessoal)

O Verminosos por Futebol localizou Mikey. Para a família do garoto, fanática pelo clube de Roterdã, ainda hoje impressiona que aquele breve segundo tenha entrado para a posteridade. “É legal saber que times de todo mundo usam essa foto, inclusive no Brasil, mas não gostaria de ver meu filho numa bandeira do Ajax”, comenta o pai, Ronald Wilson.

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Especialmente para Ronald, toda essa repercussão foi uma satisfação. Seu pai, Mike, sempre foi um espelho. Louco pelo Feyenoord, o velho chegou a receber um enterro com honras da torcida, quando morreu em 2011. No ambiente de casa, era natural que Ronald herdasse a paixão. Paixão que depois foi transferida para a terceira geração dos Wilson.

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Mikey Wilson e o irmão Brian Feyenoord Wilson, dois símbolos da torcida (Foto: Acervo pessoal)

“O Feyenoord está em nosso sangue. Por isso o time é nossa vida”, prega Ronald, de 42 anos. Para alguém apaixonado assim, ter como filho um símbolo de sua torcida já seria fantástico. Pois ele foi além. Dois anos depois da foto, nascia o rebento mais novo, Brian Feyenoord Wilson, hoje com 10 anos.

Para driblar a legislação holandesa, que não permite esse tipo de homenagem no registro, o torcedor e a esposa precisaram fazer o parto na vizinha Bélgica. “Às vezes é preciso ser esperto”, gaba-se. Parte graças ao acaso, parte graças à malandragem, Ronald se tornou um ídolo entre os torcedores do Feyenoord. Tanto quanto o filho Mikey.

Perfil do clube:

Nome: Feyenoord Rotterdam
Fundação: 19/7/1908, em Roterdã
Títulos: Mundial Interclubes (1970), Liga dos Campeões da Europa (1969/70), Copa da Uefa (1973/74 e 2001/02) e Liga da Holanda (14 taças)
Site: www.feyenoord.nl

“O Feyenoord está em nosso sangue. Por isso o time é nossa vida”. (Ronald Wilson)

Para esta matéria, o Verminosos por Futebol insistiu que a entrevista fosse com o próprio Mikey Wilson. Como garoto é tímido, a família dele preferiu responder em nome do pai Ronald.

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Em sentido horário: 1) Mikey Wilson (com cabelo moicano) ao lado do irmão Brian; 2) Brian e o pai Ronald; 3) A família Wilson captada durante transmissão de jogo; 4) Funeral do vovô Mike Wilson, com honras da torcida (Fotos: Acervo pessoal)

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Conheça o autor

O jornalista Rafael Luis Azevedo, 33, é editor do site Verminosos por Futebol desde 2012. Já venceu 18 prêmios de jornalismo, como Esso, Embratel e Petrobras e quatro vezes o da Associação Cearense de Imprensa. É coordenador do portal Tribuna do Ceará e colaborador da revista inglesa Four Four Two. Trabalhou para O Povo Online, jornal O Povo e TVs Jangadeiro/SBT, O Povo/Cultura e Cidade/Record, e já fez frilas para as revistas So Foot, Courrier International e Placar, além de Agência Pública e TV France 2. Cobriu duas Copas do Mundo in loco e é co-autor de livros sobre o Ceará e o estádio Presidente Vargas.

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