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Deu a louca

Sanat Naft, de Abadan, é o Brasil do Irã

A torcida pela seleção brasileira é comum entre estrangeiros do 3º escalão do futebol mundial. Numa cidade iraniana, a paixão se tornou motivo de devoção. Esse vínculo, quase sem igual em outro país, é representado pelo Sanat Naft Football Club, conhecido como o Brasil do Irã. Até o uniforme é igual: camisa amarela, calção azul […]

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Em Abadan, no Irã, os habitantes são loucos pela seleção brasileira (Fotos: Habi Abyar, Fars News)

A torcida pela seleção brasileira é comum entre estrangeiros do 3º escalão do futebol mundial. Numa cidade iraniana, a paixão se tornou motivo de devoção. Esse vínculo, quase sem igual em outro país, é representado pelo Sanat Naft Football Club, conhecido como o Brasil do Irã.

Até o uniforme é igual: camisa amarela, calção azul e meiões brancos. A segunda opção tem camisas e meiões azuis, além do calção branco. Ele foi adotado pouco depois da fundação do clube, em 1972 (antes era preto, azul e branco), para enfatizar a relação com o Brasil.

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Torcida do Sanat Naft, de Abadan, carrega bandeiras do Brasil e canta músicas que remetem ao país. Uma relação de paixão sem igual

O clube foi fundado com apoio da indústria petroleira do Irã, em região famosa por formar os melhores jogadores do país. Como ainda estavam na lembrança os lances mágicos do time tricampeão do mundo no México, na pioneira Copa transmitida a cores, a comparação foi natural.

“O povo da província de Khuzestan diz que é brasileiro por causa da boa técnica dos jogadores. Os torcedores até cantam que Abadan é Brasil”, relata o empresário Mahdi Ghaffari Barzi, com ligações com o clube. Foi ele quem importou o brasileiro que fez mais sucesso lá.

O povo da província de Khuzestan diz que é brasileiro por causa da boa técnica dos jogadores”. Mahdi Ghaffari Barzi.

Léo Pimenta, atacante nascido no Rio de Janeiro, chegou a Abadan em 2007, após passagens por Boavista-RJ e clubes de Portugal como Porto e Vitória de Setúbal. Embora nunca tenha sido uma estrela no futebol brasileiro, no Irã ele desembarcou como pop star. Uma experiência inesquecível.

“Foi uma recepção super calorosa, em virtude do amor da torcida pelo Brasil. Caminhar na rua, fazer uma coisa simples com a família, se tornava um evento. Alguns torcedores, sem saber falar inglês, vinham e abraçavam simplesmente”, revive Léo. “Me sentia muito especial”.

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Léo Pimenta foi ídolo do Sanat Naft de 2007 a 2008. Por ser brasileiro, era parado nas ruas e chegou a ver, num orfanato, foto dele ao lado de Pelé e do ayatolá iraniano (Foto: Divulgação)

Essa paixão se deve ao futebol ser um esporte popular no país. Os ingressos são muito baratos, então todo jogo tem casa cheia. No Tractor, de Tabriz, onde Léo depois jogou, dia de clássico chega a 100 mil pagantes. “Quando vejo na Globo que 30 mil pessoas foi bom público, acho graça”, ironiza.

A devoção pelo Brasil se amplia na Copa do Mundo, conta Mahdi Ghaffari Barzi. Ou mesmo amistoso da seleção brasileira. “Na última vez que jogaram Brasil e Irã, eu já estava no Tractor, e alguns colegas disputaram a partida”, relembra Léo. “Em Abadan, para tudo e não se vê ninguém na rua até o apito final”.

Foi uma recepção super calorosa, em virtude do amor da torcida pelo Brasil. Caminhar na rua, fazer uma coisa simples com a família, se tornava um evento. Léo Pimenta.

Por estar numa região petroleira, o Sanat Naft precisou deixar a cidade, durante a guerra com o Iraque, de 1980 a 1988. Quando voltou, o time nunca mais foi o mesmo, num sobe e desce entre as 1ª e 2ª divisões – em 2013, corre risco de novo rebaixamento. Por isso, a diretoria não consegue segurar seus destaques, como Léo, que um ano depois foi embora de Abadan e hoje atua em Dubai, nos Emirados Árabes.

Sanat-Naft-3O jogador sente saudade daquele clima festivo. “Uma vez entrei com minha família numa casa bem humilde em Abadan, um orfanato, e havia na parede três fotos: de um aiatolá iraniano, de Pelé e minha. Eles me explicaram que eu alegrava seus corações. Isso me emocionou muito”, conta Léo.

Em Abadan, o futebol brasileiro está no mesmo patamar de política e religião. Para os padrões do Irã, isso não é pouca coisa.

Site do Sanat Naft:
www.sanatenaft.com

Site de Léo Pimenta:
www.leopimenta.com.br

Imagens da torcida do Sanat Naft:

Clipe de Farid Nezarat em homenagem ao Sanat Naft:

Lances do Sanat Naft:

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www.verminososporfutebol.com.br/deu-a-louca/brasileiros-tem-time-na-setima-divisao-da-suecia


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