Deu a louca

Torcedor do Bangu ainda espera camisas

A foto de um apelo virou meme da internet. E tornou Arilson de Oliveira famoso em Barra do Piraí-RJ
Postado por Rafael Luis Azevedo - 15/jul/2015
Arilson de Oliveira, torcedor que apelou a faixa para que devolvessem camisas do Bangu roubadas de sua casa, ainda espera por consideração de ladrão dois anos depois (Foto: Acervo pessoal)

Arilson de Oliveira espera sensibilizar ladrão dois anos depois (Foto: Acervo pessoal)

Quando Arilson de Oliveira chegou em casa, a surpresa. Haviam furtado de sua casa vários bens, como TV, DVD, relógios e roupas. Nada incomodou tanto quanto a perda de três camisas e uma bandeira do Bangu. Chateado, ele amarrou uma faixa nas grades de casa, pedindo ao ladrão para que devolvesse as peças do time de coração. Dois anos depois, ainda está à espera.

A foto do apelo curioso virou um meme da internet. E tornou Arilson ainda mais famoso em Barra do Piraí-RJ, cidade de 100 mil habitantes localizada a 100 km do Rio de Janeiro. Para localizá-lo, bastou ao Verminosos por Futebol um telefonema aleatório. Fulano conhecia Sicrano, que era amigo de Beltrano, que tinha o contato da esposa do torcedor do Bangu.

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“Essa faixa teve uma repercussão danada”, relata Arilson, que conhece somente outros dois banguenses em Barra do Piraí. “Tem gente aqui que diz que não sabe quem é o presidente do Bangu, quem é o técnico, o nome de pelo menos um jogador, mas que conhece um torcedor. É engraçado”, diverte-se o empresário de 42 anos, proprietário de uma padaria.

A foto do apelo desesperado de Arilson de Oliveira virou uma espécie de meme da internet (Foto: Reprodução)

A foto do apelo desesperado de Arilson de Oliveira virou um meme da internet (Foto: Reprodução)

Ex-jogador de futebol com passagens por Madureira e São Cristóvão e por times da Indonésia e do Peru, o carioca se mudou para a cidade há oito anos, quando pendurou as chuteiras. Em janeiro de 2013, sua casa foi alvo de furto. Entre os itens roubados, estava a camisa do centenário do Bangu, presente do pai.

“Quando vim de férias da Indonésia em 2004, meu pai me comprou a camisa do Bangu daquele ano, mesmo sendo um assalariado. Ele morreu em 2011, então a blusa era um dos bens mais valiosos para mim”, conta o carioca, torcedor desde 1985, quando tinha 12 anos. Diante do desinteresse da polícia em investigar o caso, ele resolveu agir por conta própria.

“Tem gente de Barra do Piraí que não sabe quem é o presidente do Bangu, quem é o técnico, o nome de pelo menos um jogador, mas que conhece um torcedor”. (Arilson de Oliveira)

Mesmo com a faixa, nada foi devolvido. No ano passado, porém, Arilson teve a oportunidade de saber mais sobre o autor do roubo. Casualmente, sua esposa, a indonésia Ernawati, deparou-se um senhor vestido com uma das camisas. Corajosa, ela disse ao homem que seu marido é louco pelo Bangu, e que teria interesse em comprar a blusa.

Arilson de Oliveira casou com a indonésia Ernawati na época em que jogou no país (Foto: Acervo pessoal)

Arilson de Oliveira casou com a indonésia Ernawati quando jogou no país (Foto: Acervo pessoal)

“Quando tinha 12 anos, o Bangu era uma máquina. Em 1985, Marinho era o melhor jogador, e chegou à seleção. Coincidentemente, descobri que ele fazia aniversário no mesmo dia que eu. Desde então não torço outro time”.

“Quando o homem foi à padaria, contei toda a história do roubo. Ele ficou preocupado, porque trabalhava numa firma e estava a 10 meses de se aposentar”, relembra Arilson, que recebeu a camisa de volta. De acordo com o senhor, quem a repassou tinha sido um rapaz com passagem pela polícia. “Resolvi deixar pra lá, não fui atrás”.

Até aquela época, Arilson costumava ir a quase todos os jogos do Bangu em casa, deslocando-se 250 km ida e volta até o estádio de Moça Bonita, na capital. A presença constante e o alarde nos programas esportivos e policiais de TVs do Rio de Janeiro, no entanto, pouco impactaram o clube. “Ninguém me procurou, e fiquei triste com isso”.

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Como a esperança é a última que morre, Arilson ainda torce que um dia reencontre a bandeira e as camisas, incluindo a preferida, do centenário. “Eu ficaria muito feliz”, imagina. Seus amigos, sensibilizados com tanta paixão, reforçam o pedido. “Senhor ladrão, devolve a camisa aê!”

Arilson de Oliveira, hoje com 42 anos, foi jogador profissional, com passagens por Madureira e São Cristóvão e o futebol da Indonésia e do Peru (Foto: Acervo pessoal)

Arilson de Oliveira, atualmente com 42 anos, foi jogador profissional (Foto: Acervo pessoal)

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Conheça o autor

O jornalista Rafael Luis Azevedo, de 33 anos, é editor do site Verminosos por Futebol desde 2012. Já venceu 21 prêmios de jornalismo, incluindo Esso, Embratel e Petrobras. É também coordenador do portal Tribuna do Ceará, e teve passagens por jornal O Povo, O Povo Online e TVs Jangadeiro/SBT, O Povo/Cultura e Cidade/Record. Já fez reportagens ou produção para as revistas Four Four Two (ING), So Foot (FRA), Courrier International (FRA) e Placar, os sites BBC Brasil, Vice e Agência Pública e as TVs France 2 (FRA) e Fusion (EUA). Cobriu duas Copas do Mundo in loco e foi co-autor de livros sobre o Ceará e o estádio Presidente Vargas.

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