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Dica cultural

Airton de Farias lança livro sobre Olimpíadas

Entenda o contexto político dos Jogos Olímpicos, desde a Grécia antiga até as edições da era moderna

Este é o 25º livro do professor e historiador cearense Airton de Farias (Foto: Divulgação)
Este é o 25º livro do professor e historiador Airton de Farias (Foto: Divulgação)

O melhor livro de língua portuguesa sobre as Olimpíadas produzido em 2016 foi disponibilizado gratuitamente na internet. Obviamente o Verminosos por Futebol não leu todos os lançados até aqui, mas atesta com certeza: dificilmente uma obra terá o mesmo aprofundamento do mais novo trabalho do cearense Airton de Farias: História dos Jogos Olímpicos.

Em cerca de 270 páginas, o livro faz um resgate do papel dos esportes num contexto político e social, desde a Grécia antiga até os Jogos da era moderna. A obra, resultado de um ano e meio de dedicação, foi liberada para download pela editora Armazém da Cultura. “É um presente aos nossos leitores e desportistas”, adianta Airton, professor e historiador.

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Este é o 25º livro do autor. O mais famoso é o História do Ceará, que está na 7ª edição. Nos esportes, Airton ganhou referência por sua trilogia de livros sobre os três grandes do futebol cearense – Ceará, Fortaleza e Ferroviário. E também por Uma História das Copas do Mundo – Futebol e Sociedade, de 2014, compêndio de dois volumes que inspirou a análise sobre as Olimpíadas.

“Este ‘História dos Jogos Olímpicos’ tem o mesmo foco, porém, de forma mais sucinta. Ficou um livro charmoso e objetivo”, adianta Airton, que no momento se dedica a um doutorado que pesquisa os políticos cearenses durante a ditadura militar.

Confira abaixo uma entrevista do autor ao Verminosos. E fique com mais vontade ainda de fazer o download do livro.

“O esporte sofre influências e influencia posturas políticas e econômicas”

Verminosos por FutebolO que mostra seu novo livro?
Airton de Farias – O livro tem cerca de 270 páginas, tratando dos Jogos Olímpicos, da Antiguidade até o Rio de Janeiro. Mas longe de achar que essa competição é a mesma coisa, que houve um continuísmo e uma evolução. Os Jogos da Grécia clássica tinham pouco a ver com as Olimpíadas Modernas. Havia outros sentidos, de religiosidade, de preparo para as muitas guerras da época, de valorização do ideal de beleza grego e de atender ao gosto grego por competições. Os Jogos Modernos surgem no contexto da Revolução industrial, do crescimento dos nacionalismos e do aumento das tensões entre as potências, o que será um fator importante para entender a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais.

VerminososQual será a contribuição para os fãs de Olimpíadas?
Airton – Creio que cada vez mais os fãs então percebendo que os esportes não existem por si apenas. Eles sofrem influências e até influenciam posturas políticas e econômicas, de empresas e governantes. Então, o livro se propõe a fazer um passeio pela História política de nossa época através do atletismo, boxe, futebol, basquete, etc. É um livro que busca escapar ao lugar comum, de se fixar apenas em datas, números e medalhas.

“Cada vez mais os fãs então percebendo que os esportes não existem por si apenas. Eles sofrem influências e até influenciam posturas políticas e econômicas”.

VerminososAs Olimpíadas são tão ou mais usadas politicamente por nações em comparação a Copa do Mundo?
Airton – Como o futebol é o esporte mais popular do mundo, as relações ficam mais claras. Entretanto, os Jogos Olímpicos apresentam, sim, vínculos. A realização da primeira edição dos Jogos modernos em Atenas, em 1896, buscava exaltar o nacionalismo da jovem monarquia grega e criar laços culturais com a Grécia antiga. Os Jogos de Berlim, de 1936, foram dos mais organizados da História e deram muito prestígio à Alemanha Nazista. Os boicotes dos EUA e dos soviéticos, aos Jogos de 1980 e 1984, são bastante conhecidos, no clima da Guerra Fria.

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VerminososO que acha da decisão do Brasil de encarar os investimentos necessários para a realização de uma Copa do Mundo e em seguida uma Olimpíada?
Airton – Temos que ver a conjuntura em que se deu a escolha do Brasil para estes megaeventos. A década passada foi de expansão econômica e havia por parte do Governo Lula uma política externa de firmar espaço e obter mais projeção para o país no mundo. Questionável ou não, foi essa política que possibilitou a vinda da Copa e das Olimpíadas. Isso, porém, não nega os problemas que as competições tiveram, sejam de atrasos, obras questionáveis, corrupção, autoritarismo para com os pobres (não raro, expulsos e não ouvidos para a construção das obras), etc. E o cenário econômico hoje é outro, com um forte pessimismo e uma sociedade politicamente dividida. Mas os problemas, em si, não são “culpas” dos jogos. Em várias outras obras e eventos aqueles mesmos pecados estão presentes (basta acompanhar a imprensa). A Copa e os Jogos deixam apenas mais visíveis o que nós, enquanto sociedade, temos de bom e de ruim.

VerminososA crise financeira teve influência na decisão de lançar este trabalho no meio online?
Airton – Sim, acabou por influenciar. Não se faz um livro desses de hora para outra. A pesquisa demorou um ano e meio. E todo autor quer ver seu livro lido, comentado, analisado. Há uma grande crise no mercado editorial brasileiro hoje. Percebemos que o número de leitores os quais teriam acesso ao livro físico seria muito pequeno. Talvez nem financeiramente recompensasse. Então, com um livro pronto e modéstia à parte, muito bom, resolvemos inovar. O livro será posto para download gratuito, sendo dada a opção, para quem desejar, de contribuir com algum valor para pagar os direitos do autor e do desenhista. Mas isso é opcional. Importa que as pessoas tenham acesso ao conteúdo da obra.

“Resolvemos inovar. O livro será posto para download gratuito, sendo dada a opção, para quem desejar, de contribuir com algum valor para pagar os direitos do autor e do desenhista”.

VerminososVisivelmente esta Olimpíada e a Copa de 2014 tiveram um menor número de produções literárias lançadas no meio físico no Brasil, mesmo com os eventos sendo realizados no país, em comparação com edições anteriores. Há uma tendência se apresentando?
Airton – O Brasil não tem tanta tradição olímpica. Nossas medalhas são mais frutos dos esforços de grandes atletas que de um projeto de esporte de governo e sociedade. Assim, os Jogos despertam menos a atenção, por si, apesar de acontecerem pela primeira vez no Brasil. Também há a crise econômica (na hora da conta do fim do mês, livro vira “supérfluo”) e o clima de tensão política. Em rigor, a população estava e está mais preocupada com o destino do governo que com os Jogos. Mas creio que durante as disputas, como na Copa, haja uma trégua e as competições passam a galvanizar as atenções de setores da população (embora sem descartar possibilidades de protestos). O gosto pelo esporte é uma característica de nossa sociedade.

VerminososVem mais algum trabalho relacionado a futebol ou esportes em geral por aí?
Airton – Tenho algumas ideias em mente. Penso em fazer uma obra sobre a história social dos esportes no Ceará, no começo do século XX. Também penso em alguma coisa para os 100 anos do clássico entre Fortaleza e Ceará, para 2018. Penso também em voltar a escrever sobre História da África. Mas no momento minha maior preocupação é concluir o doutorado.

> Airton de Farias é professor e historiador, e atualmente é aluno de doutorado interinstitucional da Universidade Regional do Cariri (Urca) e da Universidade Federal Fluminense (UFF), em que pesquisa sobre políticos cearenses durante a ditadura militar.

Serviço:
Faça download do livro História dos Jogos Olímpicos no site do Armazém da Cultura.

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