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Dica cultural

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Em 10 cinemas nos EUA, o filme arrecadou somente 607 dólares. Média de seis ingressos por sala
Postado por Rafael Luis Azevedo - 15/jun/2015
Paixões Unidas não é um filme de futebol. É um filme de propaganda de cartolas do futebol, como João Havelange, interpretado por Sam Neill, e Joseph Blatter, vivido por Tim Roth (Foto: Divulgação)

Paixões Unidas não é filme de futebol. É filme de propaganda de cartolas do futebol (Foto: Divulgação)

A estreia de Paixões Unidas (United Passions, em inglês) foi um fracasso nos Estados Unidos. Em 10 cinemas, o filme sobre a trajetória da Fifa arrecadou somente 607 dólares – média de seis ingressos por sala. Não à toa. A película, uma obra tosca de propaganda da gestão de Joseph Blatter e de seus antecessores, apela a diálogos tão falsos quanto os discursos do cartola em sua defesa sobre os escândalos de corrupção que atingiram o ápice no fim de maio.

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Bancado pela Fifa ao custo de 30 milhões de dólares, o filme havia estreado sem tanto alarde na Europa, em julho de 2014, em meio à Copa do Mundo. Por ironia, o lançamento nos Estados Unidos, principal mercado do cinema global, aconteceu justo na semana seguinte à prisão de 14 dirigentes e empresários do futebol após investigação do Departamento de Justiça americano e do FBI. O marketing negativo não representou uma boa propaganda.

Em Phoenix, um vexame: somente um espectador foi à estreia. E, assim, teve direito a sessão privada. Quem foi aos cinemas nos Estados Unidos, país que durante muito tempo não deu tanta atenção ao jogo, possivelmente ficou perdido com o enredo. Paixões Unidas não é um filme sobre futebol, mas sim um filme sobre administradores de futebol. Ou melhor, sobre administradores corruptos. E não se envergonha de justificar as práticas deles.

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Trailer de Paixões Unidas (legendado):

A obra faz uma trajetória da vida de três dos principais dirigentes da história da Fifa – Jules Rimet, João Havelange e Joseph Blatter –, interpretados respectivamente por Gérard Depardieu, Sam Neill (de Parque dos Dinossauros) e Tim Roth. E narra como eles fizeram a federação de futebol fundada numa roda de amigos, em 1904, em Paris, tornar-se a entidade esportiva mais poderosa do planeta.

No filme, os cartolas são os heróis. Nenhum jogador é retratado como personagem de destaque. Há cenas que tentam pagar o ingresso, como a final da Copa do Mundo de 1950, brilhantemente reproduzida com uso de efeitos especiais. Rimet se dirige ao gramado do Maracanã crente que daria a taça que levava seu nome ao capitão da seleção do Brasil, e fica desolado com o silêncio do gigante após o gol uruguaio que não viu enquanto descia as escadarias.

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As virtudes, porém, param por aí. O enredo cria diálogos difíceis de engolir. Quando é nomeado para comandar a entidade recém-fundada, o francês Robert Guérin minimiza. “Ser presidente da Fifa não significa nada. Não haverá glória nem dinheiro”. Haha! Já Havelange ensina caminhos ao sucessor Blatter com palavras saídas diretamente de Homem Aranha: “Grandes honras vêm com grandes responsabilidades”.

Em diversos momentos, o filme defende a necessidade que Rimet, Havelange e Blatter tiveram se aliar a políticos e empresários “para o bem do futebol”. Discurso conveniente para o momento em que a cúpula da Fifa é acusada de manchar o jogo bonito. Aos brasileiros, os créditos finais ainda rendem uma risada derradeira. A trilha escolhida é Pata Pata, da sul-africana Miriam Makeba. Música que, no Brasil, ficou famosa pela paródia… Tá Com a Pulga na Cueca.

“Ser presidente da Fifa não significa nada. Não haverá glória nem dinheiro”. (Citação atribuída no filme a Robert Guérin, primeiro presidente da entidade)

Paixões Unidas já é vendido em DVD e bluray na Europa. No Brasil, nem chegou aos cinemas (Foto: Divulgação)

Paixões Unidas já é vendido na Europa. No Brasil, nem chegou aos cinemas (Foto: Divulgação)

Confira a música do letreiro final do filme. Bem apropriada.

Clique no link e leia também:

50-capas-de-jornais-sobre-a-crise-da-Fifa
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