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Papo sério

Dudu Monsanto: “Virei Serrano bem antes do Tupi”

Em entrevista, Dudu Monsanto explica o que o levou a encabeçar financiamento coletivo para ajudar o Serrano a disputar a 3ª divisão carioca

Dudu Monsanto comanda campanha de financiamento coletivo para ajudar o Serrano-RJ (Foto: Divulgação)
Dudu Monsanto encabeça financiamento coletivo para ajudar o Serrano-RJ (Foto: Divulgação)

Ver Dudu Monsanto falando sobre o Tupi não é novidade. Porém, o apresentador e narrador da ESPN Brasil tem uma paixão mais antiga – e pouco conhecida do “fã do esporte”. Natural de Petrópolis (RJ), ele é torcedor do Serrano Foot Ball Club desde a infância. Diante da decadência do time centenário, o jornalista resolveu arregaçar as mangas.

Dudu lançou no dia 27 de março uma campanha de financiamento coletivo no site Kickante, para arrecadar recursos que garantam a participação do Serrano na 3ª divisão do Campeonato Carioca de 2016. O projeto é resultado do seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) em Gestão Técnica em Futebol pela Universidade do Futebol.

Batizada de “Camisa com história não morre“, a campanha busca R$ 250 mil necessários para a disputa. Em menos de uma semana no ar, ela já arrecadou R$ 14 mil, de 117 apoiadores. As contribuições podem ser feitas até o dia 26 de maio, e o valor final será gerido pela Frente Azul, conselho gestor que assumirá o futebol do Serrano.

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“Com o momento econômico, talvez o empresariado local não tenha condições de apoiar o projeto na intensidade que vamos precisar. Por isso, a Frente Azul optou pelo financiamento coletivo para dar ao povo de Petrópolis a chance de escolher se ele quer ver o time de novo. Cada um vai poder ajudar com a quantia que lhe for viável”, pontua o jornalista.

Quem não é torcedor do clube ou não mora na cidade tem outra motivação para colaborar. As contribuições recebem a contrapartida do envio de produtos do time, como chaveiro (R$ 20), flâmula (R$ 55), camisa retrô (R$ 89,90) e camisa oficial do centenário com seu nome (R$ 250). Recordações de um ano que pode entrar para a história do Serrano.

“O estádio do Serrano é um lugar sagrado”

Verminosos por Futebol – Tu sempre fala do Tupi, mas não sabíamos dessa relação com o Serrano. É torcedor do Serrano tanto quanto do Tupi?
Dudu Monsanto – Eu virei Serrano muito antes de ser Tupi. Nasci em Petrópolis, e o primeiro estádio em que entrei na vida foi o Atilio Maroti, casa do Serrano. A relação com o clube é especialíssima: meu bisavô foi tesoureiro do Serrano no século passado; meus avós maternos Jayme e Dalva se conheceram num baile do clube; meu primeiro jogo como narrador de TV foi uma partida do Serrano na Segundona Carioca em 2000; e meu trabalho de conclusão de curso na UFJF foi um documentário sobre a maior vitória do Serrano (1×0 sobre o Flamengo de Zico em 1980).

Verminosos – Tu morou em Petrópolis até que idade?
Dudu – Nasci em Petrópolis em 1979, e saí de lá com 17 pra 18 anos quando passei no vestibular da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora.

Verminosos – No período em Petrópolis, quais foram os jogos marcantes do Serrano que presenciou?
Dudu – Na época de ouro do time, quando frequentou a 1ª divisão carioca entre 1979 e 1981, eu era muito pequeno. O que mais me marcou foram esses primeiros jogos como narrador de TV. Guardei as fitas e subi algumas dessas partidas para o Youtube. É sempre bom lembrar do começo pra nunca perder a essência.

Verminosos – Tu tem camisas e outros artigos do time na tua coleção?
Dudu – Tenho sim! Guardo em Petrópolis as minhas camisas do Serrano do tempo de criança, que serão herdadas pelo meu filho José Eduardo, de nove meses. Tenho flâmula, caneca de chopp, camisas… Tudo o que tem direito!

Campanha "Camisa com história não morre" busca R$ 250 mil para o Serrano (Foto: Divulgação)
Campanha “Camisa com história não morre” busca R$ 250 mil (Foto: Divulgação)

Verminosos – O que te levou a lançar a campanha de financiamento coletivo?
Dudu – O momento econômico nos faz trabalhar com a possibilidade de que o empresariado local talvez não tenha condições de apoiar o projeto na intensidade que vamos precisar. Por isso, a Frente Azul optou pelo financiamento coletivo para dar ao povo de Petrópolis a chance de escolher se ele quer ver o time de novo no futebol profissional. Cada um vai poder ajudar com a quantia que lhe for viável.

Verminosos – A ideia partiu de ti para o clube ou do clube para ti? Como tem sido o apoio da diretoria?
Dudu – Concluí este ano um curso de Gestão Técnica em Futebol pela Universidade do Futebol. No trabalho de conclusão de curso, tive que definir um Planejamento Estratégico para um clube qualquer, real ou fictício. Escolhi o Serrano. O projeto ficou excelente, e entendi que viabilizá-lo era questão de encontrar as pessoas certas e mobilizar a cidade. Já temos as pessoas, agora é com a cidade!

Verminosos – Quanto tempo levou para elaborar o projeto e o material de divulgação?
Dudu – Em menos de um mês formamos a Frente Azul, elaboramos o projeto e botamos o bloco na rua. Um mês de março super intenso!

Verminosos – Tu vivenciou alguma história engraçada ou curiosa relacionada ao Serrano?
Dudu – As condições em que a gente narrava os jogos do Serrano eram muito precárias. Não tinha replay, eram só duas câmeras, um trabalho bem difícil. O lugar onde seriam as “cabines” era aberto, e volta e meia passava alguém na frente da câmera. Foi uma grande escola.

Verminosos – Tu viaja a Petrópolis com que frequência? Como é voltar ao estádio do Serrano?
Dudu – No mínimo de dois em dois meses vou pra Petrópolis rever minha família. Meus pais estão lá, tios, irmãos. E o Atilio Maroti pra mim é um lugar sagrado, e na minha memória afetiva é tão importante quanto o Museu Imperial ou a Catedral de São Pedro de Alcântara. É quase alguém da família!

> Dudu Monsanto, de 37 anos, trabalha para a ESPN Brasil desde 2005, e é autor do livro “1981 – O Ano Rubro-Negro”, sobre o melhor ano da história do Flamengo.

Endereço da campanha:
www.kickante.com.br/campanhas/camisa-com-historia-nao-morre-serrano-fc-0
Faça download do projeto da Frente Azul.

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