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Papo sério

Palmeiras B fecha as portas em 2013

Matéria republicada do site Última Divisão, assinada por Júlio Simões. Em 13 anos, as glórias foram mais frequentes do que […]

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Ao que tudo indica, esta é foto do primeiro elenco do Palmeiras B, em 2000 (Foto: Flickr/jairjussio)

Matéria republicada do site Última Divisão, assinada por Júlio Simões.

Em 13 anos, as glórias foram mais frequentes do que os fracassos – e, mesmo assim, tiveram pouca importância. Paulistano, filho de um centenário vencedor de grande torcida, o Palmeiras B passou grande parte de sua vida brigando para provar que podia ser útil e dar orgulho ao pai. Conseguiu quatro acessos, apesar de nenhum título relevante, mas também acumulou três rebaixamentos. Tentou ser reconhecido como um prodígio, mas morreu bastardo.

Logo em seu primeiro ano, saudável e feliz, estreou em um torneio profissional com grande estilo: terminou em segundo, o que lhe rendeu o acesso do Campeonato Paulista B-2 (quinta divisão, hoje extinta) para a B-1 (quarta, também extinta). No ano seguinte, a cria seguiu sendo bem cuidada, alimentada e fortalecida, alcançando objetivos como o acesso à Série A-3 (terceira divisão), depois de terminar em terceiro lugar.

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Time A (branco) cumprimenta o time B (verde) na Copa SP 2005: 4×0 pra matriz

Neste patamar, porém, seu desenvolvimento brecou. Outros colegas eram tão ou mais fortes, e talvez a inexperiência típica da juventude tenha pesado. Foi quando o pai teve a paciência para explicar um dos maiores valores que se pode passar: na vida, nem sempre se ganha. Foram quatro tentativas até que o guri conseguisse: sétimo, quarto, 13º e, enfim, segundo lugar. Terceiro acesso em cinco anos, e um pai cheio de orgulho.

Em 2005, precisamente no dia 16 de janeiro, o filho teve a chance única de provar ao pai sua existência. Por um capricho do destino (e dos regulamentos desengonçados da Federação Paulista), o time B enfrentou o A pela Copa São Paulo de Juniores.

O Palmeiras B, surpreendentemente, tinha feito melhor campanha. Foi líder do grupo e chegou à última rodada classificado. Porém, ainda poderia fazer um favor para a matriz do Palestra Itália – se pelo menos empatasse com o Juventude, ajudaria o Palmeiras A, que estava em segundo lugar em outro grupo, mas precisava do índice técnico para se classificar. Deu tudo certo e os dois times se classificaram. Mas também deu tudo errado e calhou deles se enfrentaram logo na fase seguinte.

O Palmeiras B passou grande parte de sua vida brigando para provar que podia ser útil. Conseguiu quatro acessos, apesar de nenhum título relevante, mas também acumulou três rebaixamentos. Tentou ser reconhecido como um prodígio, mas morreu bastardo.

Mas esta “mãozinha” e a posterior derrota por 4 a 0, permitindo que o time A seguisse na competição, não foram suficientes para que o filho continuasse sendo visto com os mesmos olhos. Afinal, o dinheiro investido era grande e fazia o rebento progredir, mas ele não trazia taças expressivas para casa e tampouco rendia indicações de bons jogadores. Muitos passaram por lá, muitos mesmo, mas lembrar algum que tenha feito a tríade Base-Time B-Principal com sucesso é uma missão ingrata ao torcedor palmeirense até hoje.

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Último jogo, em 14/4 (Flickr/Alê Viana)

Em seu primeiro ano na segunda divisão, o rendimento foi satisfatório, um oitavo lugar, caindo apenas na fase semifinal – ainda que, por regulamento, não fosse permitido que os times palmeirenses disputassem o mesmo escalão profissional, o que tornava impossível o acesso do time B. Mas a cláusula nunca precisou ser colocada em prática, pois um 17º lugar decretou o primeiro rebaixamento no ano seguinte. Era claramente um sinal de alerta.

Novamente na A-3, foram mais três anos difíceis até um novo acesso: 15º, 11º e um terceiro lugar, o que lhe rendeu o quarto acesso da vida. Na A-2, novas campanhas pífias: um 15º e outro 17º lugar, o que provocou o segundo rebaixamento de sua história. Com a queda, a manutenção do projeto se tornou insustentável e uma canetada da nova diretoria selou o fim como seu único destino. Com o desânimo e o descrédito injetados na veia, um novo rebaixamento, o terceiro, acabou sendo inevitável.

Há algum tempo, o Palmeiras B sofria do mal do descaso. Desde o dia 12 de março deste ano, sua situação foi dada como irreversível. Morreu no dia 14 de abril, aos 13 anos recém-completados, diante de 58 testemunhas pagantes, após um empate em 3 a 3 com o Sertãozinho, na Rua Javari. Sua causa mortis foi insuficiência administrativa e falência múltipla dos órgãos (técnicos, táticos e estruturais). Deixa um pai centenário, nenhum filho e a leve impressão de que já foi tarde.

Ano (Divisão): Jogos, V, E, D, GPró, GContra, Saldo

2000 (B2): 36 jogos, 23v, 7e, 6d, +97, -49, +48 – acesso
2001 (B1)**: 28 jogos, 17v, 4e, 7d, +58, -30, +28 – acesso
2002 (A3): 30 jogos, 13v, 9e, 8d, +61, -43, +18
2003 (A3): 16 jogos, 7v, 3e, 6d, +33, -24, +9
2004 (A3): 14 jogos, 3v, 6e, 5d, +17, -19, -2
2005 (A3): 25 jogos, 15v, 4e, 6d, +57, -34, +23 – acesso
2006 (A2): 24 jogos, 13v, 3e, 8d, +44, -29, +15
2007 (A2): 19 jogos, 5v, 4e, 10d, +26, -36, -10 – rebaixamento
2008 (A3): 19 jogos, 6v, 3e, 10d, +33, -47, -14
2009 (A3): 19 jogos, 8v, 3e, 8d, +34, -39, -5
2010 (A3): 25 jogos, 13v, 2e, 10d, +37, -38, -1 – acesso
2011 (A2): 18 jogos, 4v, 5e, 9d, +19, -27, -8
2012 (A2): 19 jogos, 5v, 5e, 9d, +29, -37, -8 – rebaixamento
2013 (A3): 19 jogos, 5v, 2e, 12d, +22, -39, -17 – rebaixamento

Total: 311 jogos, 137 vitórias (44%), 60 empates (19,2%), 114 derrotas (40,8%) – aproveitamento de 50,48% dos pontos disputados

Fontes: Porcopedia, RSSSF

* Somente Campeonato Paulista – a Copa Paulista foi disputada pela equipe de 2003 a 2007 e 2009 a 2012; já a Copa SP de Juniores foi disputada pelo time em 2001, 2002 e 2005.
** Acesso garantido devido a reformulação do calendário: neste ano, Palmeiras B terminou em terceiro e só subiu porque abriram vagas na A-3 devido a criação da Liga Rio-São Paulo.

Leia a versão original deste texto, no Última Divisão.

Matéria da TV UOL sobre o jogo de despedida do Palmeiras B:


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