Papo sério

Torcida vê jogos por grades do Castelão

Eles enxergam somente parte do campo, e já se sentem satisfeitos. Sem ingressos, alguns moradores da região do Castelão, uma das mais pobres de Fortaleza, conseguiram um jeitinho de fazer […]
Postado por Rafael Luis Azevedo - 26/jun/2014
Moradores da região do Castelão têm furado o bloqueio de segurança nos dias de jogos. E assim acompanham as partidas vendo frestas do campo, atrás de grades (Foto: Rafael Luis Azevedo)

Moradores da região do Castelão têm furado o bloqueio de segurança nos dias de jogos. E assim acompanham as partidas vendo frestas do campo, atrás de grades (Foto: Rafael Luis Azevedo)

Eles enxergam somente parte do campo, e já se sentem satisfeitos. Sem ingressos, alguns moradores da região do Castelão, uma das mais pobres de Fortaleza, conseguiram um jeitinho de fazer parte da Copa do Mundo. Através de grades do estádio, esses torcedores acompanham os jogos. Bem, pelo menos parte dos jogos.

Thiago Melo nunca tinha se aproximado do Castelão. Para ver uma das traves, era preciso esticar-se (Foto: Rafael Luis Azevedo)

O cearense Thiago Melo, garoto de 11 anos que mora pertinho do Castelão, nunca tinha se aproximado do estádio. Para ver uma das traves, era preciso esticar-se (Foto: Rafael Luis Azevedo)

Foi assim nos quatro duelos da 1ª fase na cidade. Assim que os portões do Castelão são abertos, três horas antes da partida, alguns moradores do bairro ultrapassam o bloqueio de segurança. E então se posicionam ao lado dos guichês de entrada do estádio, de onde só é possível atravessar com bilhetes.

“A gente descobriu que não pedem ingresso na primeira entrada”, comemora Nonato Modesto, de 50 anos. Desempregado, ele não pôde comprar bilhetes. Mesmo assim, foi ao Castelão com os dois filhos e vizinhos. “Não é a mesma coisa do que estar lá dentro, mas só de sentir o grito da torcida já é legal. Na hora do hino do Brasil no jogo contra o México, foi emocionante”, conta.

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Um dos garotos que Nonato levou no jogo entre Alemanha e Gana nunca tinha nem se aproximado do Castelão. “Ah como eu queria estar lá”, aponta Thiago Melo, de 11 anos. Esticando-se na ponta dos pés, ele só conseguia ver uma das traves. Se sai gol no outro lado, é preciso correr até alguma das lanchonetes do estádio para ver o replay na TV. Essa é a Copa do Mundo de alguns: tão perto, e ao mesmo tempo tão longe.

Não é a mesma coisa do que estar lá dentro, mas só de sentir o grito da torcida já é legal. Na hora do hino do Brasil no jogo contra o México, foi emocionante”. Nonato Modesto.

Se sai gol no gol que não dá pra ver, é preciso correr até alguma lanchonete para ver o replay na TV (Foto: Rafael Luis Azevedo)

Se sai gol no gol que não dá pra ver, é preciso correr até lanchonete (Foto: Rafael Luis Azevedo)

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Conheça o autor

O jornalista Rafael Luis Azevedo, de 33 anos, é editor do site Verminosos por Futebol desde 2012. Já venceu 21 prêmios de jornalismo, incluindo Esso, Embratel e Petrobras. É também coordenador do portal Tribuna do Ceará, e teve passagens por jornal O Povo, O Povo Online e TVs Jangadeiro/SBT, O Povo/Cultura e Cidade/Record. Já fez reportagens ou produção para as revistas Four Four Two (ING), So Foot (FRA), Courrier International (FRA) e Placar, os sites BBC Brasil, Vice e Agência Pública e as TVs France 2 (FRA) e Fusion (EUA). Cobriu duas Copas do Mundo in loco e foi co-autor de livros sobre o Ceará e o estádio Presidente Vargas.

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