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Uma homenagem ao torcedor do Calouros do Ar que viveu 100 anos

Cearense se apaixonou pelo Calouros do Ar quando trabalhou na Base Aérea de Fortaleza

Fco Alves de Moura nasceu em 5/5/1917. O Calouros surgiu só em 1/1/1952 (Foto: Verminosos por Futebol)
Moura nasceu em 5/5/1917. O Calouros surgiu só em 1/1/1952 (Foto: Verminosos por Futebol)

Em junho de 2017, o Verminosos por Futebol fez uma reportagem daquelas que a gente considera um achado. Afinal, encontrar um torcedor de verdade do Calouros do Ar, tradicional clube de Fortaleza, não é fácil. Um torcedor do time com 100 anos, então… Pois conseguimos.

Porém, o site havia entrado em redesign, assim seria preciso esperar alguns meses pela publicação. Infelizmente, Francisco Alves de Moura morreu um mês depois da visita, no dia 29 de julho de 2017, dois meses depois de seu centenário. Que tristeza!

Passados cinco meses de sua partida, nossa homenagem vem agora. Segue abaixo o texto na íntegra, que a gente adoraria ter publicado com Moura ainda em vida.

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1955, o Calouros do Ar fazia sua terceira participação no Campeonato Cearense. E o clube fundado três anos antes, por oficiais da Base Aérea de Fortaleza, já conquistava o título. Vitória de 2 a 0 sobre o Ferroviário na final, no estádio Presidente Vargas.

Então com 38 anos, o torcedor Francisco Alves de Moura fazia a festa. Passados 62 anos, o coração tricolor segue batendo. Fez as contas? É isso aí, ele tem 100 anos – e talvez seja o mais velho fã do time.

O aniversário foi comemorado no dia 5 de maio de 2017, em Fortaleza. Moura, nascido no Crato e radicado na Capital desde a década de 1940, entrou para o clube dos centenários. Uma vida de dedicação à Aeronáutica, onde conheceu o Calouros.

Torcedor de verdade

“Meu pai nunca foi jogador do time, nem da diretoria. A relação sempre foi de torcedor”, resgata Edilson Aguiar, radialista e técnico de futebol. A paixão dele por futebol foi herdada do pai e da mãe Antonieta Aguiar, essa torcedora do Ceará, que morreu em 1989. Hoje, ele se orgulha que seu pai seja um raro torcedor do Calouros ainda vivo.

Raro inclusive na família. Moura teve 15 filhos (oito seguem vivos), 11 netos e 2 bisnetos. Por ironia, nenhum seguiu a paixão pelo Calouros. “A torcida é bem dividida entre os times cearenses, mas a maioria é Ceará”, destaca Edilson.

A família de Moura vivia na Vila Militar. Quando a filha mais velha ficou adolescente, eles precisaram se mudar, atendendo a regra da Aeronáutica na época. O mecânico de motores comprou um terreno no antigo bairro Mata Galinha, e pra lá foi em 1964.

“Eu tinha 6 anos, fomos praticamente os primeiros moradores. O rio Cocó ainda não era poluído, e na verdade era tão limpo que ainda dava para beber a água”, relembra Edilson, hoje com 59 anos.

Nove anos depois, chegou um vizinho gigante ali perto: o estádio Castelão, no bairro da Boa Vista. “Vi o primeiro jogo, Ceará 0x0 Fortaleza, em 1973. A gente ia andando”, conta Edilson. Hoje, toda a região é conhecida como bairro Castelão.

Camisas de 1996 e 2012. O Calouros tem tradição em Fortaleza (Foto: Verminosos por Futebol)
Camisas de 1996 e 2012. O Calouros tem tradição em Fortaleza (Foto: Verminosos por Futebol)

Onde está o Calouros

O Calouros do Ar fez muitos jogos no Castelão. Mas nunca mais repetiu os feitos dos anos 50 ainda no PV, quando foi campeão cearense, chegou a bater o Botafogo de Garrincha por 1 a 0 em amistoso, em 1954, e venceu o Torneio Início em 1955 e 1958.

Um dos pequenos de Fortaleza, o Calouros resistiu na 1ª divisão do Estadual até 1998, por 46 edições ininterruptas, quando o profissionalismo ganhou força no interior. Em 2004, o clube caiu mais uma vez, para a 3ª divisão local.

Desde 2013, o Calouros não reúne condições para disputar o Campeonato Cearense. Hoje, o atual presidente Raul Gifoni busca quitar dívidas trabalhistas e previdenciárias para colocar o time de novo em campo.

“Gestões passadas não cuidaram do clube como deveriam, sobraram contas a pagar, então as pessoas foram deixando de lado e a torcida foi sumindo”, contextualiza Gifoni, militar desde a década de 1980 e presidente a partir de 2017.

Desde 2013 o Calouros não reúne condições para disputar o Estadual (Foto: Reprodução)
Desde 2013 o Calouros não reúne condições para disputar o Estadual (Foto: Reprodução)

Que nem o Tiradentes

No passado, o Calouros manteve uma relação semelhante a do Tiradentes com a Polícia Militar do Ceará, em que policiais contribuem para o time com desconto no contracheque. A Base Aérea cedia inclusive um estádio, o antigo Brigadeiro José da Silva Porto, que tinha capacidade de 3 mil lugares e ficava dentro das instalações.

O descontrole financeiro acarretou no corte de vínculos por parte da Aeronáutica. Hoje os encontros da diretoria não são mais dentro da Base Aérea, mas seguem perto, no Clube Recreativo B25, no bairro Aerolândia. “Todo mundo diz que o Calouros não tem mais futuro, mas a gente quer mudar isso”, prega Gifoni.

A meta é voltar a campo em breve, quem sabe na 3ª divisão do Campeonato Cearense de 2018. Bem que a estreia merecia contar com Moura na arquibancada.

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