Viagem no tempo

Autor de “Uh terror, Clodoaldo é matador” relembra sucesso estrondoso nos anos 2000

O rap "Melô do Clodô", criado pelo cearense Caio DJ, levantava a torcida do Fortaleza há 17 anos
Postado por Rafael Luis Azevedo - 29/jan/2017
Clodoaldo e Caio Froes são amigos até hoje, quase duas décadas depois (Foto: Acervo pessoal)

Clodoaldo e Caio Froes são amigos até hoje, quase duas décadas depois (Foto: Acervo pessoal)

Por Lucas Catrib

Caio Froes vibrava no setor de arquibancada do estádio Presidente Vargas na maioria dos jogos do Fortaleza em 2000. O time do coração do DJ, o Tricolor do Pici, finalmente deixava de lado os anos de campanhas ruins, tendo uma equipe jovem, comandada por um baixinho atrevido em campo. Do nada, o telefone do músico tocou. Era o próprio camisa 10. Dezessete anos depois, o funkeiro de 37 anos relembra o sucesso do rap criado para Clodoaldo.

“Gosto muito de funk, sou seu fã”, revelou o ex-jogador do Fortaleza na chamada. O atleta, na época com 21 anos, pediu para o ex-estudante de Administração gravar um CD com faixas do estilo preferido pelo atacante. “Eu nem o conhecia. Já que ele pediu, tive a ideia de criar uma música para ele. A letra, a melodia, a produção”, explicou Caio.

O DJ chamou o MC Gordinho, atualmente cantor evangélico, para gravar. Em pouco tempo, o próprio Clodoaldo espalhou o cântico para os amigos, assim como o autor do hit explorou a divulgação na base do boca a boca.

“A repercussão foi muito grande. Em um mês, a matéria de TV passou umas 10 vezes para todo o Brasil. Foi muito bom para mim e para ele. A intenção era ficar entre eu e ele. Fomos mostrando e acabou estourando”, revela o músico, que estava na estrada desde 1997.

Talento nato

Francisco Clodoaldo Chagas Ferreira surgiu no Fortaleza, no fim da década de 1990, como uma das principais revelações do futebol cearense na história. O canhoto nascido em Ipu-CE fez 126 gols com a camisa do clube tricolor. Pelo time, foi o líder do tabu de 16 partidas sem derrotas para o Ceará, entre os anos de 1999 e 2001.

Clodô foi cinco vezes campeão cearense pela equipe e duas vezes artilheiro, em 2001 e 2003. “Foi o maior ídolo que eu vi no estádio. Acompanho futebol faz tempo, nunca vi igual no futebol do Nordeste. A torcida tem muita magoa dele, pela forma que ele saiu, mas é indiscutível. Eu o vejo vez ou outra. A gente tem um carinho enorme”, comentou o músico.

“A repercussão foi muito grande. Em um mês, a matéria de TV passou umas 10 vezes para todo o Brasil. Foi muito bom para mim e para ele”. (Caio Froes)

Depois de uma saída conturbada justo para o maior rival, o Ceará, onde foi novamente campeão cearense, em 2006, Clodoaldo acumulou passagens sem muito brilho por várias equipes de menor expressão, como Treze, Ituano, Potiguar, Icasa, Fluminense de Feira, Quixadá, Horizonte e Nova Russas. Se o destino fosse diferente, a música seria um hit ainda maior.

Relembre a música de Clodoaldo, com direito a destaque na TV Globo:

> Leia a versão original desta matéria, publicada no Tribuna do Ceará em 2015.

Conheça o autor

O jornalista Rafael Luis Azevedo, de 33 anos, é editor do site Verminosos por Futebol desde 2012. Já venceu 21 prêmios de jornalismo, incluindo Esso, Embratel e Petrobras. É também coordenador do portal Tribuna do Ceará, e teve passagens por jornal O Povo, O Povo Online e TVs Jangadeiro/SBT, O Povo/Cultura e Cidade/Record. Já fez reportagens ou produção para as revistas Four Four Two (ING), So Foot (FRA), Courrier International (FRA) e Placar, os sites BBC Brasil, Vice e Agência Pública e as TVs France 2 (FRA) e Fusion (EUA). Cobriu duas Copas do Mundo in loco e foi co-autor de livros sobre o Ceará e o estádio Presidente Vargas.

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