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Quem foram os campeões de público na história do Robertão (1967 a 1970)

O torneio Roberto Gomes Pedrosa foi sucesso de público, chegando a média de 22 mil por jogo

Flamengo x Vasco, 1ª e 4ª maiores médias na história do Robertão (Foto: Reprodução)
Flamengo x Vasco: 1ª e 4ª maiores médias na história do Robertão (Foto: Reprodução)

Quais eram as grandes torcidas no futebol brasileiro de meio século atrás? Um bom parâmetro para aferir isso são as médias de público, que começaram a ser contabilizadas e divulgadas a partir de 1967.

O torneio Roberto Gomes Pedrosa, disputado a partir daquele ano até 1970, foi o primeiro torneio nacional com clubes de mais de dois estados e fase de grupos inicial, e não somente mata-matas (caso da Taça Brasil, disputada de 1959 a 1968).

A análise do histórico do torneio, com pelo menos 30 jogos em quatro temporadas para a maioria dos 22 clubes que estiveram nas disputas, permite uma comparação interessante sobre quais torcidas podiam se dizer mais fiéis naquela época.

O levantamento abaixo publicado pelo Verminosos por Futebol foi feito por João Ricardo de Oliveira, pesquisador de Fortaleza, um dos maiores especialistas em estatística de público de futebol no país.

Bahia x Santos, em 1969: torneio envolveu clubes de até 7 estados (Foto: Reprodução Canal 100)
Bahia x Santos, em 1969: torneio envolveu clubes de até 7 estados (Foto: Reprodução Canal 100)

Flamengo no topo

Nos quatro anos do Robertão, o time de melhor média de público no geral foi o Flamengo, com 37 mil em 36 jogos no total. O que indica que o time já era de massa antes mesmo das transmissões televisivas – a TV Globo, por exemplo, havia sido fundada somente em 1965.

A seguir, no top 5, estão Cruzeiro (34 mil), Atlético-MG (33 mil), Vasco (30 mil) e Fluminense (30 mil). Curiosamente, o 6º colocado é o Bangu, que teve em média 28 mil torcedores, embora em número bem menor de jogos em casa (6).

“O Bangu jogou em sua maioria em rodadas duplas e, por isso, ‘herdou’ públicos grandes”, explica João Ricardo. “E o time conta com poucos jogos em casa porque vendeu mandos, fato comum até meados dos anos 90 entre clubes menores”, reforça.

Outras análises

O Corinthians, dono da melhor média em 7 das 17 edições do Brasileirão neste século, alcançou só a 8ª média geral no Robertão, com 25 mil. “O Corinthians já era um clube de massa, o mais popular de São Paulo. Mas, até os anos 80, os estaduais tinham um peso maior, e o Timão já estava na fila desde 1954. A empolgação da torcida se concentrava no Campeonato Paulista”, indica.

Internacional (7º, com 26 mil), Grêmio (9º, 21 mil), Botafogo (10º, 20 mil), Palmeiras (11º, 20 mil), Santos (12º, 18 mil) e São Paulo (13º, 13 mil) são os outros grandes no ranking.

“O São Paulo já mandava seu jogos no Morumbi, porém ele não estava finalizado. Pela distância do estádio, somado a um time não muito forte (os esforços financeiros estavam empenhados para finalizar o Morumbi), a média acabava influenciada”.

A seguir, aparecem Coritiba (15 mil), Bahia (13 mil), Santa Cruz (13 mil), América-RJ (12 mil), Atlético-PR (12 mil), Náutico (10 mil), Portuguesa (9 mil), Ferroviário-PR (8 mil) e Ponte Preta (8 mil).

É surpresa a baixa média do Bahia, dono da 4ª melhor do Brasileirão no período a partir de 1971. Mas João Ricardo também explica. “A Fonte Nova foi ampliada só em 1971. Isso influenciava na média, pois ao receber o Santos de Pelé cabiam só 40 mil pessoas, quando ali queriam estar 70, 80 mil”.

Jogo do milésimo gol de Pelé, do Santos contra o Vasco, valeu pelo Robertão de 1969 (Foto: Reprodução)
Jogo do 1.000º gol de Pelé, Santos contra Vasco, valeu pelo Robertão 1969 (Foto: Reprodução)

Muitas atrações

O Robertão saiu-se bem em seus anos de disputa, fazendo a ligação entre uma Taça Brasil realizada em formato de copa e o Campeonato Brasileiro que, a partir de 1971, foi “oficializado” pela Confederação Brasileira de Desportos (CBD) e passou a contar com mais estados entre os participantes.

Nas quatro edições, o torneio reuniu entre 15 e 17 clubes, de cinco a sete estados. Foi o palco do milésimo gol de Pelé, em 1969, e contou com todos os jogadores campeões do mundo em 1970. Motivos não faltavam para arquibancadas cheias.

Sucesso de público

A média de público mais baixa foi de 17 mil pagantes, em 1968, enquanto a mais alta somou 22 mil, em 1969. Detalhe: mesmo sem públicos destoantes – houve só um jogo com mais de 100 mil pagantes, Fluminense 1×1 Atlético-MG, com 112 mil, em 1970.

A marca de 22 mil torcedores de 1969 supera os 20 mil da Copa União de 1987, que reuniu 16 clubes, e perde apenas para os 22,9 mil de 1983, tempo de públicos gigantes no Maracanã e no Morumbi – por exemplo, 155 mil e 114 mil nas finais entre Flamengo e Santos.

A era de ouro do futebol brasileiro nos anos 60, a presença seleta de clubes grandes e/ou tradicionais e preços de ingressos acessíveis resultaram em boa presença de público nas arquibancadas. Os números abaixo mostram como o Robertão foi um sucesso.

> Atenção: Vai republicar o levantamento? Por favor, garanta crédito a João Ricardo de Oliveira e link ao Verminosos por Futebol.

Média de público no Robertão (1967 a 1970):

Time – Média – Jogos (Participações)

1º Flamengo – 37.939 – 36 (4)
2º Cruzeiro – 34.194 – 37 (4)
3º Atlético-MG – 33.192 – 40 (4)
4º Vasco – 30.581 – 36 (4)
5º Fluminense – 30.570 – 37 (4)
6º Bangu – 28.970 – 6 (2)
7º Internacional – 26.401 – 46 (4)
8º Corinthians – 25.190 – 41 (4)
9º Grêmio – 21.713 – 40 (4)
10º Botafogo – 20.765 – 32 (4)
11º Palmeiras – 20.172 – 43 (4)
12º Santos – 18.724 – 33 (4)
13º São Paulo – 13.996 – 34 (4)
14º Coritiba – 15.859 – 14 (1)
15º Bahia – 13.857 – 36 (3)
16º Santa Cruz – 13.555 – 26 (2)
17º América-RJ – 12.537 – 14 (2)
18º Atlético-PR – 12.206 – 24 (2)
19º Náutico – 10.605 – 10 (1)
20º Portuguesa – 9.730 – 22 (3)
21º Ferroviário-PR – 8.282 – 11 (1)
22º Ponte Preta – 8.139 – 9 (1)

(*) Em 1970, o Bahia mandou seus jogos no Batistão, em Aracaju, e a Ponte Preta jogou no Parque Antarctica, em São Paulo.

Média de público por federações:

Estado – Média – Jogos (total de participações)

1º Minas Gerais – 33.673 – 77 (8)
2º Rio de Janeiro – 28.643 – 161 (20)
3º Rio Grande do Sul – 24.220 – 86 (8)
4º São Paulo – 18.029 – 182 (20)
5º Bahia – 13.857 – 36 (3)
6º Pernambuco – 12.736 – 36 (3)
7º Paraná – 12.368 – 49 (4)

Médias de público por ano:

1967 – 20.545
1968 – 17.749
1969 – 22.067
1970 – 20.259

Maiores médias de público:

1967 – Cruzeiro, 34.038
1968 – Vasco, 37.296
1969 – Cruzeiro, 38.024
1970 – Fluminense, 36.942

Histórico das edições:

1967
Campeão: Palmeiras
Vice: Internacional
Artilheiro: Ademar (Flamengo) e César (Palmeiras), 15 gols
Participantes (15): Atlético-MG, Bangu, Botafogo, Cruzeiro, Corinthians, Ferroviário-PR, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Internacional, Palmeiras, Portuguesa, Santos, São Paulo e Vasco

1968
Campeão: Santos
Vice: Internacional
Artilheiro: Toninho (Santos), 18 gols
Participantes (17): Atlético-MG, Atlético-PR, Bahia, Bangu, Botafogo, Cruzeiro, Corinthians, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Internacional, Náutico, Palmeiras, Portuguesa, Santos, São Paulo e Vasco

1969
Campeão: Palmeiras
Vice: Cruzeiro
Artilheiro: Edu (América-RJ), 14 gols
Participantes (17): América-RJ, Atlético-MG, Bahia, Botafogo, Coritiba, Cruzeiro, Corinthians, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Internacional, Palmeiras, Portuguesa, Santa Cruz, Santos, São Paulo e Vasco

1970
Campeão: Fluminense
Vice: Palmeiras
Artilheiro: Tostão (Cruzeiro), 12 gols
Participantes (17): América-RJ, Atlético-MG, Atlético-PR, Bahia, Botafogo, Cruzeiro, Corinthians, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Internacional, Palmeiras, Ponte Preta, Santa Cruz, Santos, São Paulo e Vasco

Fonte dos dados: João Ricardo de Oliveira/Verminosos por Futebol


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