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Papo sério

#FutebolAtrásDasGrades #1 – Presídio cearense aposta em futebol para reinserir detentos à sociedade

Três projetos de futebol ajudam presídio de Itaitinga a ser modelo no sistema carcerário

O Cepis, do Complexo Penitenciário Itaitinga II, virou modelo no Ceará (Foto: Adriano Paiva/Verminosos por Futebol)
O Cepis, do Complexo Penitenciário Itaitinga II, virou modelo no Ceará (Foto: Adriano Paiva/Verminosos por Futebol)

Por Larissa Cavalcante e Rafael Luis Azevedo

— “Vocês são de onde?” — questiona a agente prisional, na portaria do Complexo Penitenciário Itaitinga II.
— “Do Verminosos por Futebol” — responde a repórter.
— Futebol?! E o que o futebol tem a ver com presídio? — reage.

Ela não sabia que, lá dentro, um dos quatro presídios do complexo de penitenciárias de Itaitinga, a 27 km de Fortaleza, tem investido em projetos que apostam em futebol em busca da ressocialização de presos. Com resultados promissores, constata a direção do Centro de Execução Penal e Integração Social Vasco Damasceno Weyne (Cepis).

O maior presídio do Ceará foi inaugurado em novembro de 2016, com uma proposta que une trabalho, educação, capacitação profissional e esporte para ocupação dos presos e posterior reinserção deles à sociedade. Ao todo, as 12 diferentes ações contemplam 442 presos (ou 25%) dos cerca de 1.800 que atualmente cumprem pena na unidade.

O futebol faz sua contribuição. Seja por meio da prática esportiva, lazer que ajuda a desestressar e integrar os detentos. Ou através de trabalhos que envolvem costura de bolas e fabricação de uniformes esportivos, que oferecem aos detentos remuneração e redução do tempo de prisão como contrapartida.

Isso apresentou resultados. Em sete meses, o Cepis não foi palco de nenhuma rebelião ou fuga. Enquanto isso, os três presídios vizinhos somam cinco fugas em 2017. Seis meses antes da inauguração da penitenciária, em maio, presos já haviam tocado o terror no sistema prisional cearense, com quebra-quebra de instalações e assassinatos de 14 detentos rivais.

Realidade distinta do Cepis – um oásis num modelo em crise no Brasil. “A gente quer incorporar uma nova forma de cuidar do preso, tendo ele condição de se ocupar e de trabalhar. Essa é uma unidade pacífica”, indica Cristiane Gadelha, titular da Coordenadoria de Inclusão Social do Preso e do Egresso (Cispe), da Secretaria de Justiça do Ceará (Sejus).

“A gente quer incorporar uma nova forma de cuidar do preso, tendo ele condição de se ocupar e de trabalhar”. (Cristiane Gadelha, coordenadora da Cispe/Sejus)

Conheça cada um

O Verminosos apresenta na série #FutebolAtrásDasGrades os três projetos de futebol do presídio de Itaitinga: o torneio de presos, a costura de bolas e a fábrica de uniformes esportivos. Iniciativas que merecem o reconhecimento. Inclusive dos agentes prisionais que não têm contato com o Cepis, como a jovem lá do início do texto.

Larissa Cavalcante é mestranda em Administração pela UFC, e desenvolve pesquisa sobre empreendedorismo em penitenciárias cearenses.

  • Presídio promove torneio entre presos (Foto: Carlos Gibaja e Max Marduque/Governo do Ceará)
  • Presídio ocupa presos com costura de bolas (Foto: Carlos Gibaja e Max Marduque/Governo do Ceará)
  • Presídio possui fábrica de uniformes feitos por presos (Foto: Adriano Paiva/Verminosos por Futebol)

Confira as outras reportagens da série #FutebolAtrásDasGrades:

2 – Presídio cearense promove torneio de futebol para socialização de presos.

3 – Presídio do Ceará investe em costura de bolas para ocupação de detentos.

4 – Presos fabricam uniformes esportivos como remição de pena no Ceará.

5 – “Todos merecem uma segunda chance”, defende coordenadora da Sejus.

Veja teaser da série:


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